Avape e APISCAE juntas em prol das pessoas com deficiência Imprimir E-mail
A Avape e a APISCAE, Associação para Integração Social de Crianças e Adolescentes Especiais, inauguram oficialmente a parceria para o atendimento de pessoas com deficiência em Joinville, no próximo dia 01 de junho, às 9h, na Câmara dos Vereadores. A união das organizações é possível por meio do Programa de Cooperação Técnica Internacional do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento Social e do Fundo Multilateral de Investimentos (FUMIN).
 
A unidade de Joinville passa a ser uma licenciada Avape na utilização da marca e metodologia organização para os programas de reabilitação, capacitação e inclusão profissional. Atualmente, a APISCAE atua com 40 adolescentes e jovens com deficiência intelectual, na faixa etária acima de 14 anos. “A Associação em parceria com a Rede Avape pretende alcançar um nível de excelência nos programas e, consequentemente, ampliar em 50% o numero de jovens capacitados e incluídos no mercado de trabalho”, explica Dante Luis Fagundes Lemos, presidente da APISCAE.
 
Com a nova metodologia, o atendimento ao público já se inicia no mês de junho. “Finalizamos o treinamento da equipe técnica nos programas multiplicados e dos dirigentes em gestão. Após a inauguração iniciaremos a supervisão periódica dos trabalhos”, diz Mariana Lorca, responsável pela área de Relações Internacionais e Projetos da Avape.
 
A APISCAE foi fundada em 1998, é uma sociedade civil de duração ilimitada e sem fins lucrativos. A equipe é composta por pedagogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, professor de educação física, assistente social, monitores e voluntários. “A associação iniciou seus atendimentos devido à necessidade em que se encontravam as pessoas com deficiência intelectual, tendo como proposta os programas de reabilitação, capacitação e inclusão profissional”, conta Sandra. Desde o início o objetivo foi a promoção de medidas que visem assegurar o ajustamento e o bem estar do adolescente e jovem que apresentam situações diferenciadas de aprendizagem, possibilitando sua reabilitação por meio de metodologias adequadas, facilitando a sua integração na sociedade e favorecendo o pleno uso de seus direitos fundamentais.
 
Deficiência intelectual X Mercado de trabalho
Dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), entre 2007 e 2008, apresentam queda de 7% na contratação de pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho. Em dezembro de 2007 o Brasil possuía 348.818 pessoas contratadas com carteira assinada. No mesmo mês em 2008, o número caiu para 323.210. Muitas empresas alegam a falta de mão de obra para cumprir a chamada Lei de Cotas (8.213/91), que em seu artigo 93 estabelece obrigatoriedade de contratação de pessoas com deficiência de acordo com o número de funcionários.
 
Porém, a realidade da falta de mão de obra de pessoas com deficiência é outra. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) 10% da população mundial possui algum tipo de deficiência e, desse número, a metade é composta por indivíduos com deficiência intelectual, justamente o tipo de população menos absorvida pelas empresas para ocupar os postos de trabalho. “As pessoas com deficiência intelectual têm todas as condições de serem capacitadas e incluídas no mercado de trabalho, tanto quanto aqueles com outras deficiências”, afirma Flávio Gonzalez, gerente de Desenvolvimento de Processos de Inclusão da Avape.
 
De acordo com o Censo 2000 do IBGE, o Brasil possui 14,5% de pessoas com deficiência, cerca de 27 milhões de indivíduos com dados atualizados da população. Caso seja aplicada a proporção entre as deficiências sugerida pela OMS, cerca de 13,5 milhões de pessoas têm deficiência intelectual e grande parte deste contingente poderia estar trabalhando, mas apenas 2% estão empregados. “Ao contrário do que acontece em países mais desenvolvidos, no Brasil as empresas contratam pelo tipo de deficiência e não pelo potencial, o que, aliás, é crime, de acordo com a Lei 7.853/89, salvo quando haja justificativa técnica para isso”, explica Gonzalez. Dessa forma, segundo o gerente, a situação de escassez de mão de obra poderia ser muito menor se a postura das empresas fosse mais inclusiva. “Quando a empresa pratica a inclusão, selecionando seus talentos pelo perfil e pela potencialidade e não simplesmente pela deficiência, fica muito mais fácil cumprir a legislação com as cotas exigidas e, com isso, desenvolver um programa que represente uma ação efetiva de responsabilidade social corporativa”, enfatiza.
 
Números do Ministério do Trabalho e Emprego acumulados até o inicio de março deste ano comprovam a preferência pela contratação de tipos específicos de pessoas com deficiência. O maior índice de contratação ainda está com aqueles descritos como pessoas com deficiência física, com 47,5%. As pessoas com deficiência auditiva vêm em seguida, com 32,5% e os reabilitados 8,4%. Pessoas com deficiência intelectual e visual aparecem com apenas 5,8% e 4,7% dos contratos respectivamente. Aqueles com deficiência múltipla são 0,7% dos registrados. No estado de São Paulo somente 0,161% da população com deficiência intelectual está incluída no mercado de trabalho formal, ou seja, 3.292, de um total de 2.050.582.
 
 

 

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