Socorro investe no esporte radical para deficientes

Cidade, a 120 quilômetros de Campinas, se adapta para receber também os turistas com deficiência

As pessoas com deficiência que gostam dos esportes radicais ganharam um destino apropriado e com toda a estrutura e segurança necessárias para a prática: Socorro, cidade a 120 quilômetros de Campinas, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. O projeto Aventureiros Especiais foi implantado numa parceria entre a Organização Não-Governamental (ONG) Aventura Especial e o Ministério do Turismo com três parques da cidade: Parque dos Sonhos, Campo dos Sonhos e o Parque Ecológico Cachoeira do Monjolinho.

A missão do projeto foi identificar as adaptações necessárias para viabilizar o turismo de natureza para pessoas com qualquer tipo de deficiência, seja física, mental, sensorial ou múltipla. Estudos indicaram que mudanças em alguns equipamentos, como a adaptação de uma cadeirinha no bote para o rafting, o desenvolvimento de uma cadeira de uma única roda para passear por trilhas e cadeirinhas em outro formato a serem usadas no rapel e na tirolesa, auxiliariam os deficientes para a prática de esportes radicais.

A cidade também desenvolveu o Projeto Socorro Acessível por meio de um convênio entre a Associação para a Valorização e Promoção de Excepcionais (Avape), a Prefeitura Municipal e o Ministério do Turismo. Entre as ações, foram implantados sinais sonoros nos semáforos, a construção e a adaptação de rampas de acessos em locais públicos. Muitos hotéis também se adaptaram para receber esses turistas.

O Parque dos Sonhos, localizado no Vale do Rio Cachoeirinha, implantou um projeto de acessibilidade que garante a facilidade na locomoção e diversão para os deficientes. São 14 atividades que podem ser realizadas, dependendo da deficiência da pessoa.

Todas as instalações do parque receberam sinalizações, desde a entrada até os apartamentos. Para os esportes radicais, um banner indica quais pessoas estão aptas a praticarem as atividades e o grau de dificuldade no decorrer do trajeto. Os cegos, por exemplo, podem realizar todas as atividades. Para as outras deficiências, o parque oferece adaptações. “O importante é estar tudo com muita segurança”, afirma o proprietário, José Fernandes Franco.

Ronaldo Denardo, de 32 anos, repórter da TV Sentidos, aprovou as instalações. Tetraplégico, ele fez rapel e tirolesa. Nesse último, o que ele mais gostou no parque, a descida tem um quilômetro de extensão e fica a 160 metros de altura. “É um misto de emoção, adrenalina, medo e insegurança. Pela minha deficiência, não consigo me controlar, mas, depois, é um prazer imenso”, explica.

Para poder descer, Denardo foi colocado numa cadeira especial, que o deixou completamente preso e seguro. Para ele, todo lugar deveria implantar o projeto de acessibilidade. “Se fosse assim, o mundo para os deficientes seria bem melhor”, observa.

Outro destaque apontado por Denardo é o preparo dos monitores no contato com as pessoas com deficiência. “Eles são muito atenciosos e sabem realmente lidar com os deficientes”, diz. Franco explica que todos receberam treinamento especial, inclusive a linguagem de sinais. “Os monitores sabem o suficiente para não deixar os visitantes em situações constrangedoras.”

Denardo passou dois dias no complexo e elogiou toda a estrutura. Os apartamentos são adequados e têm toda a acessibilidade que facilita a vida dos deficientes. “Indico para todas as pessoas que gostam tanto de esportes radicais quanto do contato com a natureza. É um local que nos dá muito prazer”, destaca.

As instalações dos apartamentos foram adequadas, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), para receber esse público. Todos os interruptores estão a um metro de altura e as tomadas distam 60 centímetros do chão. “Fica mais fácil até para as pessoas sem deficiência”, observa Franco. Todos os quartos possuem identificações em braile na porta, além de ter piso tátil para cegos se guiarem.

Os banheiros possuem adaptações que permitem que um cadeirante possa sentar no momento do banho. As torneiras são em alavanca, para permitir o uso de quem não possui força na mão. As portas abrem para fora. “Caso a pessoa passe mal, não é necessário arrombar a porta para salvá-la. Basta arrancar os pinos das dobradiças que a porta se desencaixa”, explica. Outra vantagem é o transporte interno, com alguns veículos modificados, para atender os deficientes.

Os números

20 Mil Visitantes são recebidos por ano no Parque dos Sonhos, que tem uma área total de 400 mil metros quadrados

SAIBA MAIS

De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), de 2000, há 24,5 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, representando 14% da população. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 500 pessoas tornam-se deficientes diariamente no Brasil, vítimas de acidentes, doenças ou violência.

Normas podem ser conferidas na internet

Em março deste ano, uma parceria entre o Ministério do Turismo e a ABNT resultou em um serviço de acesso às normas técnicas via internet. O serviço virtual faz parte do Plano Nacional de Turismo (PNT) 2007/2010 e tem também o objetivo de promover a qualidade dos equipamentos e serviços turísticos. Hoje, há 57 normas técnicas para o setor, 18 das quais criadas com apoio do Ministério do Turismo, sendo que 15 são ligadas aos turismo de aventura. Com esse apoio, empresários do setor podem garantir a oferta do melhor produto, trabalhando ao mesmo tempo a satisfação do consumidor, a segurança e a manutenção de um mercado de turismo competitivo e equilibrado. Atualmente, o mercado de turismo de aventura mobiliza aproximadamente 3 milhões de turistas e registra um faturamento anual superior a R$ 290 milhões. Segundo estimativas do Ministério do Turismo, 2 mil empresas comercializam hoje 25 atividades de aventura no Brasil. (RM/AAN)

Tetraplégico mantém espírito aventureiro

Repórter da TV Sentidos dribla limitações e libera a adrenalina em várias modalidades

Antes dos 22 anos, Ronaldo Denardo saltou de bungee jump e praticou rafting. Porém, em 25 de agosto de 1997, sofreu um acidente que mudaria completamente seu destino. Como carona, acompanhava uma amiga que dirigia o veículo quando o carro perdeu o controle e bateu contra um barranco em Itapira. As fraturas, nas quinta e sexta vértebras da coluna cervical, causaram traumatismo raque-medular, deixando o repórter tetraplégico.

Aos poucos, Denardo foi aceitando a situação. “Para quem era bem ativo, foi complicado. Hoje, convivo tranqüilamente”, diz. À época, ele perdeu todos os movimentos e sensibilidade do corpo. Com tratamentos realizados, já recuperou alguns, como o movimento dos braços e um pouco de equilíbrio de tronco.

Há cinco anos, o repórter retomou as atividades radicais. Sua deficiência não impediu de pôr em prática seu espírito aventureiro. Denardo saltou de pára-quedas, paraglider, andou de trike, uma espécie de asa delta motorizada, e voou de balão.

Outra paixão dele é a literatura. Em novembro do ano passado, Denardo pôde, enfim, realizar, um sonho. Publicou o livro autobiográfico Andando Sem Poder Andar (Editora Ibrasa), onde conta momentos antes e depois do acidente. “Falo das minhas aventuras, como foi o trágico dia e minha vida atual”, explica.

O repórter tem a certeza que um dia voltará a ser como era. “Cada dia que passa, tenho mais certeza que vou conseguir. Esse é um dos meus ideais para o futuro.” Eletricista de formação, Denardo ingressou na comunicação graças, segundo ele, ao livro. “Ele me abriu muitas portas. Hoje, me encontro quase que plenamente realizado na profissão”, completa.

Atualmente, trabalha na TV Sentidos, veiculada no canal ABC 12, transmitida para o ABC Paulista. Lá, ele é o “repórter sobre rodas” e trata de assuntos como saúde, voluntariado, transporte, inclusão social, entre outros. (RM/AAN)

O Que Fazer

Atividades Terrestres

  • Tirolesa — Uma das atrações mais procuradas no parque. Como o local está cravado num vale, os desníveis foram aproveitados para construir cinco tirolesas.
    • Do Pânico: é a descida mais longa, com aproximadamente um quilômetro de extensão. Nela, o visitante faz um passeio panorâmico pelo vale e parque. A descida dura cerca de um minuto. Os cabos estão a 160 metros do chão do ponto mais alto.
    • Do Berro: é a descida com a maior velocidade (70km/h). Tem aproximadamente 500 metros de extensão.
    • Do Arrepio: são 250 metros de extensão e o diferencial está na hora da saída, quando o praticante precisa pular de uma rampa a uma altura de 50 metros do chão.
    • Do Calafrio: com 200 metros de extensão, a 35 metros de altura do chão, é bastante panorâmica devido à sua baixa velocidade, passando pelo interior de uma mata.
    • Dos Sonhos: a apenas 10 metros do chão, é a tirolesa ideal para as crianças. Tem 100 metros de extensão.
  • Arvorismo — Por meio de estruturas montadas, o visitante passeia pelas copas das árvores, atravessando pontes, passarelas, cabos, tudo a alguns metros do chão. São três níveis de dificuldade (150, 500 e 800 metros) com várias atividades em cada uma.
  • Rapel — Há três opções de descida, uma de 50 metros no positivo (com apoio para os pés) e outra com 18 metros de altura, com cinco metros de negativo (sem apoio para os pés), na boca de uma gruta. Há também o rapel de 40m todo em negativo.
  • Escalada — São três escaladas, de cinco metros (Fonte), 20 metros (da Cascata) e 50 metros (Pedra Grande).
  • Pêndulo em corda — Queda livre, em que o visitante é fixado em três cordas, a uma altura de 35 metros. O salto é feito de uma plataforma sobre uma árvore e, em seguida, a pessoa fica pendulando alguns minutos até parar totalmente, descendo até o chão por um rapel negativo.
  • Caminhada — São cerca de cinco quilômetros de trilhas dentro e fora da área do parque, passando por matas, cachoeiras, cascatas, numa região entremeada por vales e montanhas.
    Espeleoturismo — São 150 metros de percurso, com duração de aproximadamente uma hora, sendo obrigatório o uso de capacete. A formação rochosa de toda a região é constituída por rochas graníticas, onde as grutas são formações da erosão causada pela ação do rio que passa no interior.
  • Canionismo — A atividade é realizada em um pequeno córrego, que desce as montanhas do parque, formando cascatas e piscinas naturais. A duração do trajeto é de duas horas, utilizando-se de técnicas verticais para transpor os obstáculos.
  • Cicloturismo — Monitores preparados levam grupos com bicicletas por um trajeto de aproximadamente dez quilômetros nas redondezas do parque, passando por trilhas e estradas acidentadas em um cenário cheio de matas nativas, pastagens e cachoeiras.
  • Trampolim — Utiliza-se uma cama elástica e o praticante usa uma cadeirinha acoplada em cordas elásticas que possibilitam pulos de até cinco metros de altura com piruetas.
  • Bola Maluca — É uma bola inflável que permite a entrada de até duas pessoas em seu interior. Ela é solta em uma rampa de grama, rolando por mais de 100 metros de extensão.

Atividades Aquáticas

Canoagem (barco inflável para duas pessoas) — Praticada no Rio Cachoeirinha, num percurso de um quilômetro com corredeiras e pequenas cachoeiras, com o acompanhamento de monitores.

  • Acquaride — O praticante desce o Rio Cachoeirinha deitado num bote individual. As mãos são utilizadas como remo.
  • Bóia-cross — Descida do Rio Cachoeirinha sentado numa boia, o que torna a operação mais estável. Pode ser praticado por crianças acima de 6 anos.

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